Às vezes as pessoas ficam esperando que as mudanças venham de outras pessoas, das situações, do clima, da situação financeira, e aquilo que não podemos mudar não cabe a nós. Nós só conseguimos mudar aquilo que depende de nós.

Quando eu falo de mudança no processo de emagrecimento, eu falo de uma mudança de mentalidade. De uma mudança profunda, não uma mudança que você faz durante a semana para poder comer no final de semana, ou que você vai fazer dieta por meses porque você quer ir pra praia e usar biquini. Este tipo de mudança se sustenta por um tempo, mas não é uma mudança definitiva que você vai levar para a sua vida e você vai realmente manter depois, porque você não mudou a mentalidade, que é o principal. Mudar a forma como você se relaciona com a comida e mudar principalmente o significado que a comida tem na sua vida.

Eu percebo que tem muitas pessoas que encaram a questão do emagrecimento como um sofrimento, olham para a privação da comida como uma dor e não dão ênfase para o que realmente dói. Vamos pensar um pouco sobre isto.

O que é que dói? É difícil não comer? Lógico que é. Mas o que é mais difícil? Resistir à comida ou olhar para o armário e não ter nada que te sirva? É mais difícil falar não para o que você gosta de comer ou não conseguir olhar no espelho porque você não gosta de se ver?

Eu sei que muitas pessoas já chegaram neste ponto, de não ter nada para usar… eu também já tive este momento, eu já fui obesa. Eu sei o quanto dói. Eu me lembro quando eu pesava 86 quilos, sendo que eu tenho 1,62 m eu morava em Rio Claro e eu sempre vinha pra Campinas no Shopping Dom Pedro e eu entrava nas lojas, ia comprar roupa e nada servia e eu chorava. Acabava comprando calça larga e moletom, uma roupa que era ainda maior que eu, porque nem vontade de comprar uma roupa bonita e me vestir bem eu não tinha.

E aí sabe o que acontecia? Depois que eu saia das lojas eu ia para a praça de alimentação e aí que eu chutava o pau da barraca mesmo. Eu comia fast food, doce. Porque eu pensava… o que adianta? Eu não estou feliz mesmo, vou comer. Depois eu vejo o que eu faço. E tem muita gente que pensa assim.

Mas não é assim. Até quando você vai arrastar esse problema e vai ficar dormindo com esse “barulho” na cabeça? Porque é isso mesmo… um barulho na cabeça. É uma agulhinha que fica o tempo todo te cutucando e te falando que você precisa emagrecer.

É sofrido dizer não para a comida? É!

Mas quando você começa a emagrecer e ver resultado, quando você começa a ver que as suas roupas estão ficando largas, ou quando você baixa o número do manequim, isto é uma delícia.

Me lembro que eu cheguei a usar calça 48 e quando eu ia nas lojas que eu gostava, nada servia pra mim. E somente quando doeu muito em mim foi que eu senti que eu tinha que mudar. E foi aí que eu comecei, mesmo com as dificuldades e com as limitações, eu cheguei a ficar um ano sem comer besteiras e sem tomar bebida alcoólica. Eu era bem mais nova, eu saia e só tomava água.

Persistir e me manter firme me fortaleceu muito. Eu cheguei onde eu queria e não foi de graça. Eu não achei nenhuma pílula mágica que tirasse a minha fome. Não achei nenhum método de burlar a academia e continuar emagrecendo. Eu fiz o que tinha que ser feito e deu certo. Sempre dá certo quando fazemos o que precisa ser feito.

Quanto antes você começar, antes você termina!

Até a próxima,

Melina Schio